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Agora que acabou a licença de maternidade (Carta ao João)

Sexta-feira, 03.01.14

Meu amor,

 

Terminou a “nossa” licença de maternidade. Inicias agora a tua vida escolar (no berçário) e eu regresso ao trabalho. Foram cinco meses que passaram a voar. Primeiro mais devagarinho, é certo, que eu já não sou “mãe de 1ª viagem”, mas continuo sem achar grande graça às primeiras semanas de conhecimento mútuo. Ou melhor dizendo, acho muito mais graça às seguintes. Mas principalmente agora, nestes dois últimos meses da licença, parece que o tempo passou a correr.

E vejo-me agora de novo agarrada ao computador, entre reuniões e almoços à secretária, sempre alerta para não deixar fugir a hora de te ir buscar, e relembro os dias em que tinha todo o tempo do mundo (demais, dizia eu) só para estar contigo. E apetece-me voltar atrás.

Não te vou mentir e dizer que, por mim, não trabalhava. Eu não sou apenas a mãe, sou também a profissional, e tenho a certeza que um dia perceberás isso. Até porque sou muito melhor mãe porque sou também (estas) outras coisas.

Mas isso não faz com que deixar-te na escola todas as manhãs seja fácil. Primeiro porque é um filme só para parar o carro (uma piadinha para aligeirar, pode ser?), mas principalmente porque és tão meu. Ainda tão pequenino, tão dependente, tão inocente. Que precisa de beijinhos, de colo, de mimos, do biberon ao colo, da colher à boca. E agora, durante o dia, terás outras mãos, outros beijos e outros colos. Que não os meus. E isso dói-me.

Estás seguro, estás protegido, estás a aprender. Estás com pessoas que cuidam bem de ti. E eu sei que estás a crescer bem, assim como a tua irmã cresceu no berçário dela. É por isso uma dor pequenina, mas não deixa de moer. É assim tipo corte de papel…

Bem sei que, para mim, a força deste amor não foi novidade. Receber-te na minha vida foi uma bênção renovada. Eu já conhecia o amor por um filho, pois tenho (temos!) a sorte de ter a Maria. Mas nunca imaginei que me fosse tão fácil amar-te assim. Não duvidei – em vez alguma – que viesse a amar os dois com a mesma intensidade. Mas a rapidez, a facilidade, a naturalidade com que te instalaste no meu coração, isso sim foi uma surpresa.

Fui ao teu encontro muito mais preparada do que aquando do nascimento da tua irmã. Fui mais segura, mais confiante, mais paciente. A experiência conta muito. E a experiência, por mais contraditório que pareça, deixou o instinto trabalhar. E o instinto trouxe-me o amor. Este amor. Nosso, fácil, arrebatador.

O resto foste tu. Só tu, com esse teu cheiro de bebé, esses teus olhos enormes que comem o mundo, as tuas mãos que não largam. Tu com a cor das tuas bochechas, e o calor que emanas sempre. Tu com o teu choro urgente, os sons ritmados que fazes, as gargalhadas que ficam. Só tu, o meu boneco, o meu gordalhufo.

Nestes cinco meses, tu descobriste tantas coisas... Descobriste a vida cá fora, as caras da tua família, cores e sons, a casa e a natureza, o sol e a chuva, a azáfama, a música e o silêncio. Descobriste que tudo tem sabor. Sabes que existem na tua casa dois seres maiores que tu que estão sempre lá para te pegar e te acalmar – são os teus pais. E sabes que existe uma criatura barulhenta e saltitante que te faz sempre sorrir – a tua irmã Maria. O que ainda não sabes (mas talvez já desconfies) é que vocês são quem manda lá em casa…

Já eu, nestes cinco meses, descobri que a licença de maternidade pode ser um período muito bom. Deu-me tempo para mim, para viver com mais calma e mais paciência, ainda que com muito mais caos em redor. Para viver com menos certezas mas mais determinações. Para stressar menos. Para gozar mais. Para abraçar mais, beijar mais, aproveitar mais o que é essencial. A família, o sol, a harmonia.

Eu já tinha estado de licença de maternidade antes, mas não a soube (e não a pude) aproveitar. Perdeu a Maria, que não teve a mãe que merecia, perdi eu, que não aproveitei da melhor forma a bebé que ela foi. Já contigo estes cinco meses foram de um enamoramento bom. Um amor tranquilo e inabalável. Uma relação de raízes profundas. Mas com muitas flores visíveis.

Tu, João, deste-me cinco meses que fizeram de mim uma mãe – uma mulher até – mais forte, mais segura, mais feliz. Tu deste-me cinco meses que passaram a voar. Mas que no fundo não passaram, porque o que nos demos – o que nos damos afinal – é eterno.

 

Milhões de beijinhos,

Mãe

Lisboa, 9 de Dezembro de 2013

 

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1 comentário

De Ana Rita César a 09.01.2014 às 16:49

Que lindo MIF! Emocionei-me a ler as tuas palavras :) muitos beijinhos

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